{"id":148,"date":"2016-11-27T12:22:49","date_gmt":"2016-11-27T12:22:49","guid":{"rendered":"http:\/\/verbumdei.pt\/?p=148"},"modified":"2016-12-14T09:22:02","modified_gmt":"2016-12-14T09:22:02","slug":"espiritualidade-do-advento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verbumdei.org\/porto\/2016\/11\/27\/espiritualidade-do-advento\/","title":{"rendered":"ESPIRITUALIDADE DO ADVENTO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-149 aligncenter\" src=\"http:\/\/verbumdei.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/velas.gif\" alt=\"velas\" width=\"400\" height=\"201\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Secretariado Nacional de Liturgia<\/p>\n<h1>1. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano civil e ano lit\u00fargico<\/h1>\n<p>O ano lit\u00fargico tem exactamente a mesma dura\u00e7\u00e3o do ano civil: 365 ou 366 dias. Mas um e outro s\u00e3o diferentes na sua organiza\u00e7\u00e3o\u2026, e mais ainda nas respectivas finalidades. Acerca do primeiro escreveu Paulo VI: <em>\u00abA celebra\u00e7\u00e3o do ano lit\u00fargico tem valor e efic\u00e1cia sacramental para o progresso da vida crist\u00e3. \u00c9 isto mesmo que N\u00f3s pr\u00f3prio sentimos e professamos\u00bb<\/em> (\u201cMotu pr\u00f3prio\u201d que aprovou as \u201cNormas gerais sobre o ano lit\u00fargico e o novo calend\u00e1rio romano\u201d).<\/p>\n<p>O ano civil divide-se em esta\u00e7\u00f5es (Primavera, Ver\u00e3o Outono e Inverno), em meses (Janeiro, Fevereiro\u2026 Dezembro), e em dias de cada m\u00eas (dia 1 de\u2026, dia 2 de\u2026, dia 3 de\u2026 dia 31 de\u2026). Actualmente, o ano civil tem o seu in\u00edcio no dia 1 de Janeiro e o seu termo a 31 de Dezembro. Mas j\u00e1 come\u00e7ou e acabou noutros dias. Os anteriores eram 1 de Mar\u00e7o (para come\u00e7ar) e 28 ou 29 de Fevereiro (para terminar). Foi o imperador romano J\u00falio C\u00e9sar que fixou as datas actuais para come\u00e7o e fim de cada ano. A palavra \u201cPrimavera\u201d (ou seja, <em>primeira esta\u00e7\u00e3o do ano<\/em>) \u00e9 um dos ind\u00edcios do antigo come\u00e7o do ano civil e os 28 ou 29 dias do m\u00eas de Fevereiro o outro.<\/p>\n<p>O ano lit\u00fargico divide-se em cinco tempos (Tempo do Advento, Tempo do Natal, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Tempo Comum), em semanas de cada um desses tempos (I semana do Advento, I semana da Quaresma\u2026, I semana da P\u00e1scoa\u2026, I semana do Tempo Comum\u2026, XXXIV semana do Tempo Comum), e em dias da semana (Domingo e dias feriais: segunda-feira, ter\u00e7a-feira\u2026, s\u00e1bado).<\/p>\n<p>Os dias feriais s\u00e3o os seis dias de trabalho ou de lazer, que v\u00e3o de segunda-feira a s\u00e1bado. Mas cada semana come\u00e7a pelo domingo, dia escolhido pelos crist\u00e3os para seu dia de festa, muito antes de ser dia de descanso. Porque fizeram eles tal escolha? Apenas e s\u00f3 porque Deus o escolhera para dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, seu Filho, e este, por sua vez, o elegera para as suas duas primeiras apari\u00e7\u00f5es, como se l\u00ea no Evangelho de S. Jo\u00e3o: \u00abAo anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os disc\u00edpulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, p\u00f4s-se no meio deles e disse-lhes: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb (<em>Jo<\/em> 20, 19); \u00abOito dias depois, estavam os disc\u00edpulos outra vez dentro de casa e Tom\u00e9 com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, p\u00f4s-se no meio deles e disse: \u00abA paz seja convosco!\u00bb (<em>Jo<\/em> 20, 26). A express\u00e3o <em>oito dias depois <\/em>chama a aten\u00e7\u00e3o dos leitores para o facto da segunda apari\u00e7\u00e3o do ressuscitado ter acontecido precisamente uma semana ap\u00f3s a primeira. \u00c9 essa a raz\u00e3o pela qual as <em>Normas gerais do ano lit\u00fargico<\/em> se exprimem assim<em>: <\/em>\u00ab<em>No primeiro dia da semana, chamado \u201cdia do Senhor\u201d ou \u201cdomingo\u201d, a Igreja, por tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica que vem do pr\u00f3prio dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, celebra o mist\u00e9rio pascal. Por isso o domingo deve considerar-se como o dia de festa primordial<\/em>\u00bb (NUALC 4).<\/p>\n<h1>2. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Breve reflex\u00e3o sobre o Advento<\/h1>\n<p>O que \u00e9 o Advento ou mais precisamente, o Tempo do Advento? \u00c9 o primeiro dos cinco tempos do ano lit\u00fargico. Com ele, a Igreja cat\u00f3lica inicia, em cada ano, um novo itiner\u00e1rio de f\u00e9. Constituem-no os quatro domingos que antecedem o Natal do Senhor. Digo quatro domingos e n\u00e3o quatro semanas, porque as semanas do Advento podem ser apenas tr\u00eas ou quatro incompletas.<\/p>\n<p>Donde vem a import\u00e2ncia que a liturgia dedica ao Advento? Curiosamente, essa import\u00e2ncia n\u00e3o tem origem no pr\u00f3prio Tempo em si, mas em dois acontecimentos que n\u00e3o fazem parte do Advento. Um deles j\u00e1 veio enquanto o outro ainda est\u00e1 para chegar. Que acontecimentos s\u00e3o esses? O primeiro, aquele que j\u00e1 aconteceu, foi o Nascimento do Filho de Deus em Bel\u00e9m, o Natal do Senhor. Volto a citar o documento j\u00e1 referido: \u00ab<em>O Tempo do Advento\u2026 \u00e9 tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a solenidade do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus aos homens\u00bb <\/em>(NUALC 39).<\/p>\n<p>O segundo acontecimento, aquele que ainda esperamos, vem indicado imediatamente a seguir: \u00ab<em>O Advento \u00e9, simultaneamente, o tempo em que, comemorando esta primeira vinda, o nosso esp\u00edrito se dirige para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por estes dois motivos, o Advento apresenta-se-nos como um tempo de piedosa e alegre expectativa<\/em>\u00bb (NUALC 39).<\/p>\n<p>A express\u00e3o <em>piedosa\u2026 expectativa<\/em> n\u00e3o pode passar despercebida a quem l\u00ea o texto. Ela recorda que o Advento n\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, um tempo de muitas realiza\u00e7\u00f5es humanamente louv\u00e1veis, de manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas excelentes, mas sim de intimidade espiritual com Deus. Os dicion\u00e1rios definem <em>piedade<\/em> como amor e respeito pelas coisas religiosas. Por outro lado, o Advento \u00e9 tempo de prepara\u00e7\u00e3o para duas vindas do Senhor, para dois Natais: o de Bel\u00e9m, que j\u00e1 aconteceu e aquele que ainda esperamos, o do fim dos tempos.<\/p>\n<p>A liturgia n\u00e3o trata o Advento como se as suas quatro semanas j\u00e1 fossem Natal, mas como prepara\u00e7\u00e3o para algo que vem depois delas. Isto deve ter implica\u00e7\u00f5es na catequese das crian\u00e7as. H\u00e1 que falar-lhes da festa que est\u00e1 para vir e propor-lhes actividades que as ajudem a preparar o Natal de Jesus. Mas o Natal \u00e9 s\u00f3 no dia 25 de Dezembro. Por isso, mesmo que venham a fazer-se \u201cfestas de Natal\u201d antecipadas, n\u00e3o ponham o Menino no Pres\u00e9pio. Ponham l\u00e1 Maria, Jos\u00e9, o burro, a vaca, os anjos, os pastores, os reis magos, etc. Mas n\u00e3o ponham l\u00e1 a imagem do Menino. E digam \u00e0s crian\u00e7as porqu\u00ea. Bem sei que isto \u00e9 dif\u00edcil, porque \u00e0 nossa volta, e ainda em pleno Advento, tudo antecipa o Natal o mais poss\u00edvel, numa \u00e2nsia de vender coisas e criar pretenso ambiente natal\u00edcio. A liturgia \u00e9 que deve ser a escola da catequese. Deixemos que seja ela a ensinar a adultos e crian\u00e7as o que \u00e9 o Natal. \u00c9 ela que o sabe fazer com mais beleza e verdade.<\/p>\n<p>Deixem, catequistas, que vos diga uma palavra que teima em saltar-me da boca: vivam a liturgia, frequentem a liturgia, deixem-se conduzir por ela, rezem o que ela vos prop\u00f5e, leiam e ou\u00e7am ler o que ela proclama nas leituras, aprofundem-na, amem-na. A liturgia, disse o Papa S. Pio X, <em>\u00e9 a catequese mais universal do povo de Deus<\/em>. Prestem aten\u00e7\u00e3o a quem disse esta frase. Eu apenas me limitei a cit\u00e1-la. Quem a escreveu foi um Papa, 50 anos antes do Conc\u00edlio Vaticano II, num tempo em que a liturgia n\u00e3o tinha ainda sido reformada. Um Papa n\u00e3o \u00e9 propriamente, como sabeis, um vendedor de palavras. Jesus disse a Pedro, o primeiro Papa: \u00abEu roguei por ti, para que a tua f\u00e9 n\u00e3o desapare\u00e7a. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irm\u00e3os.\u00bb (<em>Lc<\/em> 22, 32).<\/p>\n<h1>3. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A figura central do Advento<\/h1>\n<p>H\u00e1 figuras que s\u00e3o centrais, no Advento. Uma delas \u00e9 a Virgem Maria, porque viveu profundamente o esp\u00edrito desse tempo de espera do Messias prometido\u2026 e simultaneamente de expectativa do que Deus tinha para lhe revelar no dia a dia da sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Maria pertencia \u00e0quela parte do povo de Israel que, antes da vinda de Jesus, esperava com todo o cora\u00e7\u00e3o essa vinda. Pelas palavras e pelos gestos narrados no Evangelho, podemos ver como Ela vivia realmente imersa nas palavras dos Profetas que anunciavam a vinda do Messias do Senhor. Contudo, n\u00e3o podia imaginar como iria realizar-se tal vinda, mesmo quando j\u00e1 trazia o seu Filho no seio. Foi s\u00f3 no dia de Natal que a M\u00e3e ficou a conhecer os planos misteriosos de Deus sobre esse nascimento. E nada soube do muito mais que estava para acontecer. S\u00f3 no dia da Cruz descobriu o sentido das palavras que Sime\u00e3o lhe dirigiu, no dia da apresenta\u00e7\u00e3o do Menino no Templo: \u00abUma espada trespassar\u00e1 a tua alma\u00bb (Lc 2, 35).<\/p>\n<h1>4. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Espiritualidade do Advento<\/h1>\n<p>Porque raz\u00e3o sentiu a liturgia necessidade duma prepara\u00e7\u00e3o mais adequada para a celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da primeira vinda de Cristo no Natal, e da sua \u00faltima vinda no fim dos tempos?<\/p>\n<p>As respostas a estas duas perguntas podem esclarecer-nos sobre o que \u00e9 afinal a espiritualidade do Advento.<\/p>\n<h1><em>Vinde, Senhor Jesus<\/em><\/h1>\n<p>Sabemos que Cristo j\u00e1 veio. Aquele que os profetas anunciaram e desejaram ver fez-Se carne no seio de Maria, nasceu em Bel\u00e9m, foi contemplado pelos homens. Mas voltou para o Pai, onde intercede continuamente por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por\u00e9m a Igreja acredita que os fi\u00e9is de todos os tempos t\u00eam necessidade de fazer experi\u00eancia id\u00eantica \u00e0 dos filhos de Israel que viveram antes da vinda do Messias. Da\u00ed a sua proposta, no in\u00edcio de cada ano lit\u00fargico, sintetizada na frase tantas vezes repetida na liturgia do Advento: \u00ab<em>Maranat\u00e1, Vinde, Senhor Jesus, Maranat\u00e1\u00bb<\/em> (<em>Ap<\/em> 22, 20).<\/p>\n<p>Tempo do Advento \u00e9 tempo de desejar que Jesus venha \u00e0 minha vida, \u00e0 tua vida, \u00e0 vida do mundo, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de todos os tipos entre os homens e mulheres do universo, onde quer que vivam, o que quer que fa\u00e7am, quem quer que sejam.<\/p>\n<h1><em>Vinde, Esp\u00edrito Santo<\/em><\/h1>\n<p>No princ\u00edpio, quando Deus criou o c\u00e9u e a terra, o Esp\u00edrito pairava sobre as \u00e1guas e nelas infundiu a for\u00e7a criadora da vida (cf. <em>Gen<\/em> 1, 2). Na hora da Anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo, foi ainda o Esp\u00edrito que gerou, no ventre da Virgem Maria, o Filho Unig\u00e9nito de Deus, dando in\u00edcio aos novos c\u00e9us e \u00e0 nova terra (cf. <em>Lc<\/em> 1, 35).<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, o Esp\u00edrito precedeu a vida; na Anuncia\u00e7\u00e3o precedeu o Verbo. O Esp\u00edrito de Deus que esteve na origem da primeira vinda de Cristo, quer ser invocado a fim de preparar o cora\u00e7\u00e3o da humanidade para a segunda vinda.<\/p>\n<p>O Advento \u00e9, pois, tempo de clamar: \u201cVinde, Esp\u00edrito Santo\u201d, pois s\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 capaz de preparar a Igreja e o mundo para a vinda defin itiva do Filho de Deus, e simultaneamente o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher para neles se ir completando a obra da reden\u00e7\u00e3o que teve in\u00edcio na Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo: <em>\u00abO Esp\u00edrito do Senhor, encheu a terra inteira. Aleluia, aleluia, aleluia\u00bb.<\/em><\/p>\n<h1><em>Viver em clima de Advento, com Maria<\/em><\/h1>\n<p>Na B\u00edblia, os pobres de Jav\u00e9 s\u00e3o aqueles filhos e filhas de Israel que, acreditaram na promessa dum Salvador, que suplicaram a Deus a vinda desse dia, e souberam esperar o Messias prometido. Maria ocupa, entre esses pobres, o primeiro lugar.<\/p>\n<p>O Advento \u00e9, mais do que nenhum outro, o tempo dos novos pobres de Jav\u00e9, pois \u00e9 no Advento que a Igreja pede com maior insist\u00eancia a vinda da salva\u00e7\u00e3o: <em>Des\u00e7a o orvalho do alto dos C\u00e9us e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador<\/em>, felic\u00edssima tradu\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre: <em>\u00abRorate, coeli, desuper, et nubes pluant iustum\u00bb<\/em>. Ningu\u00e9m cantou como Maria este c\u00e2ntico, mesmo antes da m\u00fasica que hoje cantamos ter sido composta. N\u00e3o admira, por isso, que Ele ocupe um lugar de tanto relevo na liturgia do Advento.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Maria na liturgia do Advento tem um profundo sentido de exemplaridade. Assim como Deus p\u00f4s os olhos na humildade da sua serva, do mesmo modo os p\u00f5e em cada crente que a imita. A exemplaridade de Maria h\u00e1-de ser ponto de refer\u00eancia para a Igreja e para cada crente que, em continuidade com ela, tem a miss\u00e3o de preparar o mundo para a \u00faltima vinda de Cristo Salvador.<\/p>\n<p>Na aurora dos novos tempos foi em Maria que a promessa feita por Deus aos patriarcas e aos profetas se transformou em Dom. Nos nossos, que s\u00e3o os \u00faltimos, h\u00e1-de ser atrav\u00e9s de cada homem e de cada mulher que vivam \u00e0 maneira de Maria, que Deus apressar\u00e1 a \u00faltima vinda do seu Filho, e nos dar\u00e1 a gra\u00e7a de alcan\u00e7armos a heran\u00e7a do c\u00e9u, onde, com a cria\u00e7\u00e3o inteira, cantaremos eternamente a gl\u00f3ria do Senhor.<\/p>\n<h2>5. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Viver um Advento crist\u00e3o<\/h2>\n<p>O Tempo do Advento come\u00e7a nos \u00faltimos dias de Novembro ou nos primeiros dias de Dezembro. Porque antecede o Natal e o fim do ano civil, \u00e9 um per\u00edodo muito importante para a manifesta\u00e7\u00e3o dos mais nobres sentimentos da pessoa humana. Que o digam as inumer\u00e1veis festas de car\u00e1cter social que nele acontecem, conhecidas pelo nome de \u201cnatais\u201d:<\/p>\n<p>natal dos hospitais, natal da TV, natal dos trabalhadores da empresa X.<\/p>\n<p>Mas a vis\u00e3o crist\u00e3 do Advento vai mais longe do que aquele que emerge dessas festas pr\u00e9-natal\u00edcias. \u00a0Ela parte da actividade prof\u00e9tica, nomeadamente de Jo\u00e3o Baptista, e dela deduz que o Advento tem, como finalidade, preparar as comunidades para uma celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do Natal e lembrar tamb\u00e9m que a \u00faltima vinda do Senhor est\u00e1 agora mais pr\u00f3xima do que no momento em que abra\u00e7\u00e1mos a f\u00e9. A vis\u00e3o crist\u00e3 do Advento faz de Deus e n\u00e3o do homem a medida de todas as coisas. Trata-se duma forma de olhar as coisas e o mundo que contrasta com a vis\u00e3o que a cultura, a pol\u00edtica e o social t\u00eam dessas mesmas realidades, e que \u00e9 inc\u00f3moda. Por isso, a liturgia do Advento interpela fortemente os que a frequentam, apontando-lhes como objectivo final a \u00faltima vinda de Cristo, e como metas interm\u00e9dias as manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade humana, a viver em jubilosa esperan\u00e7a, como sinais precursores do Natal de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o crist\u00e3 do Advento manifesta-se tamb\u00e9m nas celebra\u00e7\u00f5es do sacramento da Penit\u00eancia, fazendo ressaltar, atrav\u00e9s da atitude humanamente acolhed ora e fraterna dos ministros, a inigual\u00e1vel humanidade de Deus que se compadece de todas as fraquezas dos homens, e cujo perd\u00e3o \u00e9 imen samente maior do que os pecados dos homens e mulheres de todos os tempos.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os, na sua vida quotidiana, s\u00e3o convidados a andar atentos \u00e0s tentativas do poder econ\u00f3mico que pretende transformar o Advento num per\u00edodo de louco consumismo, verdadeiro atentado \u00e0 dignidade dos mais pobres e \u00e0 igualdade e fraternidade que o Natal proclama.<\/p>\n<p>Se te reconheces como disc\u00edpulo de Cristo, manifesta o teu desacordo relativamente aos modelos culturais que os meios de comunica\u00e7\u00e3o criam e imp\u00f5em quase \u00e0 for\u00e7a, contrapondo-lhes o modo de viver, de pensar e de sentir que se aprendem nas p\u00e1ginas do Evangelho, onde se narra o nascimento de Cristo e se contempla a simplicidade e pobreza do primeiro pres\u00e9pio: uma gruta, uma manjedoira, um Menino, que sendo rico Se fez pobre para ensinar aos homens a mais bela das li\u00e7\u00f5es: <em>Felizes os pobres que o s\u00e3o no seu \u00edntimo, porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us<\/em>.<\/p>\n<p>Convido-te a seres candidato a mestre de sabedoria evang\u00e9lica, dizendo estas coisas com palavras mas principalmente com a vida. Garanto-te que n\u00e3o tardar\u00e1s a ver disc\u00edpulos e amigos que te acompanhem.<\/p>\n<p>O Advento e a sua mensagem t\u00eam for\u00e7a para nos levar at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio que fez nascer Deus entre os homens e continua a ser capaz de conduzir os homens at\u00e9 Deus.<\/p>\n<h3>JOS\u00c9 DE LE\u00c3O CORDEIRO<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Secretariado Nacional de Liturgia 1. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano civil e ano lit\u00fargico O ano lit\u00fargico tem exactamente a mesma dura\u00e7\u00e3o do ano civil: 365 ou 366 dias. 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