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Pistas – 04 de março de 2023

Pera aí – Pistas de Oração Verbum Dei, 23.03.04.
Boa oração!

Cuidar do Coração

ORAÇÃO INICIAL
Jesus, ensina-me a orar! Tenho no coração o desejo de encontro Contigo. Que bom estares aqui, Senhor. Necessito de descanso, não de um descanso qualquer, mas daquele que vem de viver reconciliada. Continuo a precisar da Tua ajuda para ler os abusos sexuais por membros da nossa Igreja: como chegámos aqui? O que importa aprender sobre a condição humana? De ora em diante, o que somos chamados a viver?

PALAVRA DE DEUS
No Evangelho segundo Mateus (Mt 5, 43-48) falas-me, Jesus:
«Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

PISTAS DE ORAÇÃO
Fazes-me também recuar um pouco para ler na primeira leitura (Dt 26, 16-19): «Hoje obtiveste a promessa do Senhor de que Ele seria o teu Deus… E hoje o Senhor obteve de ti a promessa de que serás o Seu povo».
Senhor, pergunto-Te: A Tua promessa mantém-se? Continuas comprometido connosco, a querer-nos como Teu povo?
És Tu, Jesus, quem responde e no-lo garante: «o Pai faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos.» O amor do Pai não é condicional. A aliança de amor do Pai com a Humanidade, com cada pessoa, é eterna. O Seu Amor é perfeito, é até ao fim, é completo e total, abarca todo o nosso ser e não é retirado diante das nossas trevas. Perante o nosso pecado, as nossas traições ao amor e as nossas perversões, Tu e o Pai continuam a amar, a querer resgatar-nos dos infernos onde entramos e para onde arrastamos outros.
E nós, porque quebramos a promessa de aliança Contigo? Porque nos desviamos, porque nos tornamos Teus inimigos? Recordo o que outros constataram:
Simone Weil : «Todos os pecados são tentativas de preencher alguns vazios».
Joan Chittister : «A verdade é que todos nós temos a capacidade de fazer o que outros fizeram; só não tivemos ainda a oportunidade, ou não nos encontrámos suficientemente desesperados ou nos mesmos contextos ou não fomos apanhados» e Dietrich von Hildebrand: «Não há nada no Homem que não se possa perverter… Só Cristo e através de Cristo ficamos protegidos do perigo de uma transição ou perversão repentina”.
Mas estes meus irmãos que foram abusadores não estavam unidos a Cristo? Não. Pois não basta viver na Tua casa. Não basta “trabalhar” para Ti. Há que vigiar sobre o estado do nosso coração!
Somos cristãos de coração cheio, saciado pelo Teu Amor, filhos amados, ou cristãos-funcionários? Que fazemos da Tua recomendação – «Vigiai e orai para não cederdes à tentação» (Mc 14,38)?
O maior antídoto para o não amor é o Amor. Como cuidamos do nosso coração? Como procuramos, na aliança com Deus, saciar os nossos vazios? Sabemos pedir ajuda nos desertos? Temos a coragem de ser humildes e de nos deixar acompanhar para que entre luz nos nossos pontos cegos?
Impressionou-me que começássemos a Quaresma com Paulo a suplicar: « Irmãos, reconciliai-vos com Deus» (cf.2 Cor 5)
Que estranho! Não deveria ser antes: « Irmãos, peçamos a Deus que se reconcilie connosco»? Mas relendo o Evangelho compreendo: «Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus». Cabe-nos a nós, cada dia, fazer caminho ao encontro do Pai. Ele já é nosso Pai para sempre. Tudo o que é nosso, Ele toma-o como Seu e dá a Sua vida para nos levantar, elevar, consagrar. Somos nós quem livremente há-de caminhar na Sua direção para atualizar, cada dia, a promessa de ser o Seu povo. Cabe-nos a nós confiar na Sua Bondade e Poder, capazes de salvar a nossa humanidade, de a divinizar, de conciliar o aparentemente inconciliável – a pobreza do nosso amor, o nosso pecado, as nossas trevas com a grandeza do Seu Amor.

ORAÇÃO FINAL
Pai, tudo o que é Teu, Tu o pões à nossa disposição. Ajuda-nos a ser simples, pequeninos, capazes de Te expor as nossas feridas e carências, o avesso das nossas vidas, para que nos cures, nos abraces. Sacia o nosso coração e torna-nos Teus filhos de verdade, com um coração como o Teu!